João 21
A queda
de Pedro foi muito triste, mas a sua restauração foi maravilhosa, onde podemos
ver a graça incomparável do Senhor Jesus para com o pobre miserável pecador.
Este
capítulo é dedicado, basicamente, ao apóstolo Pedro, companheiro de ministério
de João (At 3:1). João não desejava terminar seu Evangelho sem contar aos
leitores que Pedro havia sido restaurado a seu apostolado. Sem essas últimas
informações, seria difícil entender a posição tão proeminente que Pedro ocupa
nos doze primeiros capítulos do livro de Atos.
Neste
capítulo podemos aprender algumas lições como cristãos transformados pela graça
de Deus, cada uma, com uma respectiva responsabilidade. Nós fomos transformados
para sermos:
1 . PESCADORES DE HOMENS – DEVEMOS OBEDECER AO
SENHOR (Jo 21:1-8)
O Senhor
havia instruído seus discípulos a se encontrarem com ele na Galileia, o que
explica por que estavam no mar da Galileia ou mar de Tiberíades (Mt 26:32;
28:7-10; Mc 16:7). Mas João não diz por que Pedro decidiu ir pescar, e os
estudiosos da Bíblia não apresentam um consenso quanto a essa questão. Alguns
afirmam que estava fazendo algo perfeitamente legítimo, pois, afinal, precisava
pagar suas contas, e a melhor maneira de levantar seu sustento era pescar. Por
que ficar ocioso? Mãos à obra!
Talvez a
impulsividade e a presunção de Pedro estivessem se revelando novamente. Foi
sincero, trabalhou com afinco noite toda, mas não obteve resultados – como
acontece com alguns cristãos na obra do Senhor! Acreditam sinceramente que
estão fazendo a vontade de Deus, mas seu trabalho é em vão. Estão servindo sem
orientação de Deus e não podem esperar as bênçãos dele.
Era hora de Jesus assumir o controle
da situação, exatamente como havia feito quando chamou Pedro para ser seu
discípulo. Disse-lhes onde lançar as redes, e eles obedeceram e pegaram 153
peixes! Nunca estamos longe do sucesso quando permitimos que Jesus dê as ordens
e, normalmente, estamos mais próximos do sucesso do que imaginamos.
2 . PASTORES – DEVEMOS AMAR
AO SENHOR (Jo 21:9-18 )
Jesus
encontrou-se com seus discípulos na praia, onde já havia preparado um café da
manhã para eles. Essa cena toda deve ter trazido fortes memórias a Pedro e
tocado sua consciência. Sem dúvida, se lembrou daquela primeira pescaria (Lc
5:1-11), talvez da ocasião em que Jesus alimentou os 5 mil com pão e peixe (Jo
6). Foi no final desse último acontecimento que Pedro fez sua confissão
explícita de fé em Jesus Cristo (Jo 6:66-71). As brasas na areia provavelmente
o lembravam do braseiro junto ao qual havia negado ao Senhor (Jo 18:18). É bom
recordar o passado, pois podemos ter algo a confessar.
O
elemento-chave é o amor de Pedro pelo Senhor, e esse também deve ser o elemento
central hoje. Mas a que Jesus se referia quando perguntou: “Amas-me mais do que
estes outros?” Essa pergunta provavelmente queria dizer: “Você me ama – como
você mesmo afirmou – mais do que os outros discípulos me amam?” A imagem muda,
então, do pescador para o pastor, Pedro estava sendo restaurado. Pedro deveria
ministrar tanto como evangelista (pegando peixes) quanto como pastor (cuidando
do rebanho). É triste separar essas duas coisas, pois devem sempre andar
juntas.
Por
certo, o Espírito Santo prepara os que devem servir como pastores e coloca
essas pessoas nas igrejas (Ef 4:11 ss), mas cada cristão, como indivíduo,
também deve ajudar a cuidar do rebanho. Cada um de nós recebeu um ou mais dons
do Senhor, e devemos usar o que ele nos deu para ajudar a proteger e
aperfeiçoar o rebanho. As ovelhas têm a tendência de se perder, portanto
devemos cuidar uns dos outros e nos exortar mutuamente.
3 . DISCÍPULOS – DEVEMOS
SEGUIR AO SENHOR (Jo 21:19 – 25 )
Jesus
havia acabado de falar sobre a vida e o ministério de Pedro e, agora, trata de
sua morte. Pedro deve ter estremecido ao ouvir o Senhor discutir sua morte de
maneira tão clara. Sem dúvida, Pedro sentia-se alegre por ter sido restaurado à
comunhão e ao apostolado. Por que, então, falar do martírio?
Um
pouco antes, naquela manhã, Pedro “cingiu-se” e lançou-se ao mar rumando para a
praia (Jo 21:7). Um dia, alguma outra pessoa o cingiria – e o executaria (ver 2
Pe 1:13,14). Diz a tradição que, de fato, Pedro foi crucificado, mas que pediu
para ser colocado de ponta cabeça na cruz, pois não era digno de morrer
exatamente da forma como seu Mestre havia morrido.
Jesus
Cristo transformou a de seus discípulos, e ainda hoje transforma vidas. Onde
quer que encontre alguém que creia e que esteja disposto a sujeitar-se a sua
vontade, a ouvir sua Palavra e a seguir seu caminho, começa a transformar essa
pessoa e a realizar coisas extraordinárias por meio dela.
Exceto
pelos relatos bíblicos, Pedro e João saíram de cena há séculos, mas nós ainda
estamos aqui. Trata-se de um grande privilégio e de uma responsabilidade
enorme! Só seremos bem-sucedidos à medida que permitimos que o Senhor nos
transforme.
Pr. Eli
Vieira
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