quinta-feira, 31 de outubro de 2024

A Vida de Martinho Lutero

 

Martinho Lutero

por Orlando Boyer

No cárcere, sentenciado pelo Papa a ser queimado vivo, João Huss disse: “Podem matar um ganso (na sua língua, ‘huss’ é ganso ), mas daqui a cem anos, Deus suscitará um cisne que não poderão queimar” .

Enquanto caía a neve, e o vento frio uivava como fera em redor da casa, nasceu esse “cisne”, em Eisbelen, Alemanha. No dia seguinte, o recém-nascido era batizado na Igreja de São Pedro e São Paulo. Sendo dia de São Martinho, recebeu o nome de Martinho Lutero.

Cento e dois anos depois de João Huss expirar na fogueira, o “cisne” afixou, na porta da Igreja em Wittenberg, as suas noventa e cinco teses contra as indulgências, ato que gerou a Grande Reforma.

Para dar o valor devido à obra de Martinho Lutero, é necessário notar algo das trevas e confusão dos tempos em que nasceu.

Calcula-se que, pelo menos, um milhão de albigenses foram mortos na França, a fim de cumprir a ordem do Papa, para que esses “hereges” fossem cruelmente exterminados. Wiclif, “a Estrela da Alva da Reforma”, traduzira a Bíblia para a língua inglesa. João Huss, discípulo de Wiclif, morrera na fogueira, na Boêmia, cantando hinos, nas chamas, até o último suspiro. Jerônimo de Praga, companheiro de Huss e também erudito, sofrera o mesmo suplício, pedindo ao Senhor que perdoasse seus pecados. João Wessália, notável pregador de Erfurt, fora preso por ensinar que a salvação é pela graça; seu frágil corpo fora metido entre ferros, onde morreu quatro anos antes do nascimento de Lutero. Na Itália, quinze anos depois de Lutero nascer, Savonarola, homem dedicado a Deus e fiel pregador da Palavra, foi enforcado e seu corpo reduzido a cinzas, por ordem da Igreja Romana.

Em tempos assim, nasceu Martinho Lutero. Como muitos dos demais célebres entre os homens, era de família pobre.

Os pais de Martinho, para vestir, alimentar e educar seus sete filhos, esforçaram-se incansavelmente. O pai trabalhava nas minas de cobre; a mãe, além do serviço doméstico, trazia lenha nas costas, da floresta.

O pai de Martinho, satisfeitíssimo pelos trabalhos escolares do filho, na vila onde morava, mandou-o, aos treze anos, para a escola franciscana na cidade de Magdeburgo.

Para conseguir a sua subsistência em Magdeburgo, Martinho era obrigado a esmolar pelas ruas, cantando canções de porta em porta. Seus pais, achando que em Eisenach passaria melhor, mandaram-no para estudar nessa cidade, onde moravam parentes de sua mãe. Porém esses parentes não o auxiliaram, e o moço continuou a mendigar o pão.

Quando estava a ponto de abandonar os estudos, para trabalhar com as mãos, certa senhora de recursos, D. Úrsola Cota, atraída por suas orações na igreja e comovida pela humilde maneira de receber quaisquer restos de comida, na porta, acolheu-o entre a família. Pela primeira vez Lutero sentira fartura. Mais tarde, ele referia-se à cidade de Eisenach como a “cidade bem amada”. Quando Lutero se tornou famoso, um dos filhos da família Cota cursava em Wittenberg, onde Lutero o recebeu na sua casa.

Logo depois, os pais de Martinho alcançaram certa abastança. O pai alugou um forno para fundição de cobre e depois passou a possuir mais dois. Foi eleito vereador na sua cidade e começou a fazer planos para educar seus filhos.

Aos dezoito anos, Martinho ansiava estudar numa universidade. Seu pai, reconhecendo a idoneidade do filho, enviou-o a Erfurt, o centro intelectual do país, onde cursavam mais de mil estudantes. O moço estudou com tanto afinco que, no fim do terceiro semestre, obteve o grau de bacharel de filosofia. Com a idade de vinte e um anos, alcançou o segundo grau acadêmico e o de doutor em filosofia. Os estudantes, professores e autoridades prestaram-lhe significativa homenagem.

Seu pai, desejoso de que seu filho se formasse em direito e se tornasse célebre, comprou-lhe a caríssima obra: “Corpus Juris”. Mas a alma de Lutero suspirava por Deus, acima de todas as coisas. Vários acontecimentos influenciaram-no a entrar na vida monástica, passo que entristeceu profundamente seu pai e horrorizou seus companheiros de universidade.

Durante o ano de noviciato, antes de Lutero ser feito monge, os seus amigos fizeram de tudo para dissuadi-lo de confirmar esse passo. Os companheiros, que convidara para cearem com ele, quando anunciou a sua intenção de ser monge, ficaram no portão do convento dois dias, esperando que ele voltasse. Seu pai, vendo que seus rogos eram inúteis e que todos os seus anelantes planos acerca do filho iam fracassar, quase enlouqueceu.

Quão grande, porém, era sua ilusão. Depois de procurar crucificar a carne pelos jejuns prolongados, pelas privações mais severas, e com vigílias sem conta, achou que, embora encarcerado em sua cela, tinha ainda de lutar contra os maus pensamentos. A sua alma clamava: “Dá-me santidade ou morro por toda a eternidade; leva-me ao rio de água pura e não a estes mananciais de águas poluídas; traze-me as águas da vida que saem do trono de Deus!”;

Certo dia Lutero achou, na biblioteca do convento, uma velha Bíblia latina, presa à mesa por uma cadeia. Achara, enfim, um tesouro infinitamente maior que todos os tesouros literários do convento. Ficou tão embevecido que, durante semanas inteiras, deixou de repetir as orações diurnas da ordem. Então, despertado pelas vozes da sua consciência, arrependeu-se da sua negligência : era tanto o remorso, que não podia dormir. Apressou-se a reparar o seu erro: fê-lo com tanto anseio que não se lembrava mais de alimentar-se. Nessa altura, o vigário geral da ordem agostiana, Staupitz, visitou o convento. Era homem de grande discernimento, e devoção enraizada; compreendeu logo o problema do jovem monge; ofereceu-lhe uma Bíblia na qual Lutero leu que o “justo viverá da fé. Por quanto tempo tinha ele anelado : “Oh ! se Deus me desse um livro destes só para mim!” – e agora o possuía !

Na leitura da Bíblia achou grande consolação, mas a obra não poderia completar-se em um só dia. Ficou mais determinado do que nunca a alcançar paz para a sua alma, na vida monástica, jejuando e passando noites a fio sem dormir. Gravemente enfermo, exclamou : “Os meus pecados ! Os meus pecados !”. Apesar da sua vida ter sido livre de manchas, como ele afirmava e outros testificavam, sentia sua culpa perante Deus, até que um velho monge lhe lembrou uma palavra do Credo: “Creio na remissão dos pecados”. Viu então que Deus não somente perdoara os pecados de Daniel e de Simão Pedro, mas também os seus. Pouco tempo depois destes acontecimentos, Lutero foi ordenado padre.

Depois de completar vinte e cinco anos de idade, Lutero foi nomeado para a cadeira de filosofia em Wittenberg, para onde se mudou para viver no convento da sua ordem. Porém a sua alma anelava pela Palavra de Deus, e pelo conhecimento de Cristo. No meio das ocupações de professorado, dedicou-se ao estudo das Escrituras, e no primeiro ano conquistou o grau de “baccalaureus ad biblia”. Sua alma ardia com o fogo dos céus; de todas as partes acorriam multidões para ouvir os seus discursos, os quais fluíam abundantemente e vivamente do seu coração, sobre as maravilhosas verdades reveladas nas Escrituras.

Um dos pontos mais iluminantes da biografia de Lutero é a sua visita a Roma. Surgiu uma disputa renhida entre sete conventos dos agostianos e decidiram deixar os pontos de dissidências para o Papa resolver. Lutero sendo o homem mais hábil, mais eloqüente e altamente apreciado e respeitado por todos que o conheciam, foi escolhido para representar seu convento em Roma. Fez a viagem a pé, acompanhado de outro monge. Em Roma, visitou os vários santuários e os lugares de peregrinação. Numa certa ocasião, subindo a Santa Escada de joelhos, desejando a indulgência que o chefe da igreja prometia por esse ato, ressoaram nos seus ouvidos como voz de trovão, as palavras de Deus: “O justo viverá da fé”. Lutero ergueu-se e saiu envergonhado.

Depois da corrupção generalizada que viu em Roma, a sua alma aderiu à Bíblia mais do que nunca. Ao chegar novamente ao convento, o vigário insistiu em que desse os passos necessários para obter o título de doutor, com o qual teria o direito de pregar. Lutero, porém, reconhecendo a grande responsabilidade perante Deus e não querendo ceder, disse: “Não é de pouca importância que o homem fale em lugar de Deus….Ah ! Sr. Dr., fazendo isto, me tirais a vida; não resistirei mais que três meses”. O vigário geral respondeu-lhe : “Seja assim, em nome de Deus, pois o Senhor Deus também necessita nos céus de homens dedicados e hábeis”.

O coração de Lutero, elevado à dignidade de doutor em teologia, abrasava-se ainda mais do desejo de conhecer as Sagradas Escrituras e foi nomeado pregador da cidade de Wittenberg.

Acerca da grande transformação da sua vida, nesse tempo, ele mesmo escreve: “Apesar de viver irrepreensivelmente, como monge, a consciência perturbada me mostrava que era pecador perante Deus. Assim odiava a um Deus justo, que castiga os pecadores…Senti-me ferido de consciência, revoltado intimamente, contudo voltava sempre para o mesmo versículo ( Rm 1: 17 ), porque queria saber o que Paulo ensinava. Contudo, depois de meditar sobre esse ponto durante muitos dias e noites, Deus, na sua graça, me mostrou a palavra : ‘ O justo viverá da fé ‘. Vi então que a justiça de Deus, nessa passagem, é a justiça que o homem piedoso recebe de Deus pela fé, como dádiva”.

A alma de Lutero dessa forma saiu da escravidão; ele mesmo escreveu assim: “Então me achei recém-nascido e no Paraíso. Todas as escrituras tinham para mim outro aspecto; perscrutava-as para ver tudo o que ensinavam sobre a ‘ justiça de Deus ‘ . Antes, estas palavras eram-me detestáveis; agora as recebo com o mais intenso amor. A passagem me servia como a porta do Paraíso”.

Depois dessa experiência, pregava diariamente; em certas ocasiões, pregava até três vezes ao dia, conforme ele mesmo conta: “O que o pasto é para o rebanho, a casa para o homem, o ninho para o passarinho, a penha para a cabra montês, o arroio para o peixe, a Bíblia é para as almas fiéis”. A luz do Evangelho, por fim, tomara o lugar das trevas e a alma de Lutero abrasava por conduzir os seus ouvintes ao Cordeiro de Deus, que tira todo o pecado.

Lutero levou o povo a considerar a verdadeira religião, não como uma mera profissão, ou sistema de doutrinas, mas como vida em Deus. A oração não era mais um exercício sem sentido, mas o contato do coração com Deus que cuida de nós com um amor indizível. Nos seus sermões, Deus revelou o seu próprio coração a milhares de ouvintes, por meio do coração de Lutero.

A fama do jovem monge espalhou-se até longe. Entretanto, sem o reconhecer, enquanto trabalhava incansavelmente para a igreja, já havia deixado o rumo liberal que ela seguia em doutrinas e práticas.

“Em outubro de 1517, Lutero afixou a porta da Igreja do Castelo em Wittenberg, as suas 95 teses, o teor das quais é que Cristo requer o arrependimento e a tristeza pelo pecado e não a penitência”. Lutero afixou as teses ou proposições para um debate público, na porta da Igreja, como era costume nesse tempo. Mas as teses, escritas em latim, foram logo traduzidas em alemão, holandês e espanhol. Antes de decorrido um mês, para a surpresa de Lutero, já estavam na Itália, fazendo estremecer os alicerces do velho edifício de Roma. Foi desse ato de afixar as 95 teses na Igreja de Wittenberg, que nasceu a Reforma Protestante, isto é, que tomou forma o grande movimento de almas que em todo o mundo ansiavam voltar para a fonte pura, a Palavra de Deus. Contudo Lutero não atacara a Igreja Romana, mas antes, pensou fazer defesa do Papa contra os vendedores de indulgências.

Em agosto de 1518, Lutero foi chamado a Roma para responder a uma denúncia de heresia. Contudo, o eleitor Frederico não consentiu que fosse levado para fora do país; assim Lutero foi intimado a apresentar-se em Augsburgo. “Eles te queimarão vivo”, insistiram seus amigos. Lutero, porém, respondeu resolutamente: “Se Deus sustenta a causa, ela será sustentada”.

A ordem do núncio do Papa em Augsburgo foi: “Retrata-se ou não voltará daqui”. Contudo Lutero conseguiu fugir, passando por uma pequena cancela no muro da cidade, na escuridão da noite. Ao chegar de novo em Wittenberg, um ano depois de afixar as teses, era o homem mais popular em toda a Alemanha. Não havia jornais nesse tempo, mas fluíam da pena de Lutero respostas a todos os seus críticos para serem publicadas em folhetos. O que escreveu dessa forma, hoje seriam cem volumes.

Quando a bula de excomunhão, enviada pelo Papa, chegou em Wittenberg, Lutero respondeu com um tratado dirigido ao Papa Leão X, exortando-o, no nome do Senhor, a que se arrependesse. A bula do Papa foi queimada fora do muro da cidade de Wittenberg, perante grande ajuntamento do povo.

Porém, o imperador Carlos V, que ia convocar sua primeira Dieta na cidade de Worms, queria que Lutero comparecesse para responder, pessoalmente, aos seus acusadores. Os amigos de Lutero insistiram em que recusasse ir. “Não fora João Huss entregue a Roma para ser queimado, apesar da garantia de vida por parte do imperador?!”. Mas em resposta a todos que se esforçavam por dissuadi-lo de comparecer perante seus terríveis inimigos, Lutero, fiel a chamada de Deus, respondeu : “Ainda que haja em Worms, tantos demônios como quantas sejam as telhas nos telhados, confiando em Deus, eu aí entrarei”. Depois de dar ordens acerca do trabalho, no caso de ele não voltar, partiu.

Na sua viagem para Worms, o povo afluía em massa para ver o grande homem que teve coragem de desafiar a autoridade do Papa. Em Mora, pregou ao ar livre, porque as igrejas não mais comportavam as multidões que queriam ouvir seus sermões. Ao avistar as torres das igrejas de Worms, levantou-se na carroça em que viajava e cantou o seu hino, o mais famoso da Reforma: ” Ein Feste Berg “, isto é : “Castelo forte é o nosso Deus”. Ao entrar, por fim, na cidade, estava acompanhado de uma multidão de povo muito maior do que fora ao encontro de Carlos V . No dia seguinte foi levado perante o imperador, ao lado do qual se achavam o delegado do Papa, seis eleitores do império, vinte e cinco duques, oito margraves, trinta cardeais e bispos, sete embaixadores, os deputados de dez cidades e grande número de príncipes, condes e barões.

Sabendo que tinha de comparecer perante uma das mais imponentes assembléias de autoridades religiosas e civis de todos os tempos, Lutero passou a noite anterior de vigília. Prostrado com o rosto em terra, lutando com Deus, chorando e suplicando.

Quando, na assembléia, o núncio do Papa exigiu de Lutero, perante a augusta assembléia, que se retratasse, ele respondeu : “Se não me refutardes pelo testemunho das Escrituras, ou por argumentos – desde que não creio somente nos papas e nos concílios, por ser evidente que já muitas vezes se enganaram e se contradisseram uns aos outros – a minha consciência tem de ficar submissa à Palavra de Deus. Não posso retratar-me, nem me retratarei de qualquer coisa, pois não é justo nem seguro agir contra a consciência. Deus me ajude ! Amém”.

Apesar de os papistas não conseguirem influenciar o imperador a violar o salvo-conduto, para que pudesse queimar na fogueira o assim chamado “herege”, Lutero teve de enfrentar outro grave problema. O edito de excomunhão entraria imediatamente em vigor; Lutero por causa da excomunhão, era criminoso e, ao findar o prazo do seu salvo-conduto, devia ser entregue ao imperador; todos os seus livros deviam ser apreendidos e queimados; o ato de ajudá-lo em qualquer maneira era crime capital.

Mas para Deus é fácil cuidar dos seus filhos. Lutero, regressando a Wittenberg, foi repentinamente rodeado num bosque por um bando de cavaleiros mascarados que, depois de despedirem as pessoas que o acompanhavam, conduziram-no, alta noite, ao castelo de Wartburgo, perto de Eisenach. Isto foi um estratagema do príncipe de Saxônia para salvar Lutero dos inimigos que planejavam assassiná-lo antes de chegar a casa. No castelo, Lutero passou muitos meses disfarçado; tomou o nome de cavaleiro Jorge e o mundo o considerava morto. Contudo, no seu retiro, livre dos inimigos, foi-lhe concedido a liberdade de escrever, e o mundo logo soube, pela grande quantidade de literatura, que essa obra saía da sua pena e que, de fato, Lutero vivia. O reformador conhecia bem o hebraico e o grego e em três meses tinha vertido todo o Novo Testamento para o alemão – em poucos meses mais a obra estava impressa e nas mãos do povo. Cem mil exemplares foram vendidos, em quarenta anos, além das cinqüenta e duas edições impressas em outras cidades. Era circulação imensa para aquele tempo, mas Lutero não aceitou um centavo de direitos. A maior obra de toda a sua vida, sem dúvida, fora de dar ao povo alemão a Bíblia na sua própria língua – depois de voltar a Wittenberg. O seu êxito em traduzir as Sagradas Escrituras para o uso dos mais humildes, verifica-se no fato de que, depois de quatro séculos, sua tradução permanece como a principal.

Depois de abandonar o hábito de monge, Lutero resolveu deixar por completo a vida monástica, casando-se com Catarina von Bora, freira que também saíra do claustro, por ver que tal vida é contra a vontade de Deus. O vulto de Lutero sentado ao lume, com a esposa e seis filhos que amava ternamente, inspira os homens mais que o grande herói ao apresentar-se perante o legado em Augsburgo.

Nas suas meditações sobre as Escrituras, muitas vezes se esquecia das refeições. Ao escrever o comentário sobre o Salmo 23, passou três dias no quarto comendo somente pão e sal. Quando a esposa chamou um serralheiro e quebraram a fechadura, acharam-no escrevendo, mergulhado em pensamentos e esquecido de tudo em redor.

É difícil concebermos a magnitude das coisas que devemos atualmente a Martinho Lutero. O grande passo que deu para que o povo ficasse livre para servir a Deus, como Ele mesmo ensina, está além da nossa compreensão. Era grande músico e escreveu alguns dos hinos mais espirituais cantados atualmente. Compilou o primeiro hinário e inaugurou o costume de todos os assistentes aos cultos cantarem juntos. Insistiu em que não somente os do sexo masculino, mas também os do feminino fossem instruídos, tornando-se, assim, o pai das escolas públicas. Antes dele, o sermão nos cultos era de pouca importância. Mas Lutero fez do sermão a parte principal do culto. Ele mesmo servia de exemplo para acentuar esse costume: era pregador de grande porte. Considerava-se como sendo nada; a mensagem saía-lhe do íntimo do coração: o povo sentia a presença de Deus. Em Zwiekau pregou a um auditório de 25 mil pessoas na praça pública.

Calcula-se que escreveu 180 volumes na língua materna e quase um número igual no latim. Apesar de sofre de várias doenças, sempre se esforçava dizendo: “Se eu morrer na cama será uma vergonha para o Papa”.

Os homens geralmente querem atribuir o grande êxito de Lutero à sua extraordinária inteligência e aos seus destacados dons. O fato é que Lutero também tinha o costume de orar horas a fio. Dizia que se não passasse duas horas de manhã orando, recearia que Satanás ganhasse a vitória sobre ele durante o dia. Certo biógrafo seu escreveu : “O tempo que ele passa em oração, produz o tempo para tudo que faz. O tempo que passa com a Palavra vivificante enche o coração até transbordar em sermões, correspondência e ensinamentos”.

Encontra-se o seguinte na História da Igreja Cristã, por Souer, Vol, 3, pág. 406 : “Martinho Lutero profetizava, evangelizava, falava línguas e interpretava; revestido de todos os dons do Espírito”. [Nota do site: Esta informação não é verdadeira. Não há nada, seja em seus escritos ou biografias confiáveis, que possa sequer supor isso. Pelo contrário, em seus escritos encontramos frases como esta: “Fiz uma aliança com Deus: que Ele não me mande visões, nem sonhos nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas, que me dão instrução abundante e tudo o que preciso conhecer tanto para esta vida quanto para a que há de vir”].

Nos seus sessenta e dois anos pregou seu último sermão sobre o texto: “Ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos”. No mesmo dia escreveu para a sua querida Catarina : “Lança o teu cuidado sobre o Senhor, e Ele te susterá. Amém”. Isso foi na última carta que escreveu. Vivia sempre esperando que o Papa conseguisse executar a repetida ameaça de queimá-lo vivo. Contudo não era essa a vontade de Deus : Cristo o chamou enquanto sofria dum ataque do coração, em Eisleben, cidade onde nascera .

São estas as últimas palavras de Lutero : “Vou render o espírito”. Então louvou a Deus em alta voz : “Oh! meu Pai celeste! meu Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, em quem creio e a quem preguei e confessei, amei e louvei! Oh! meu querido Senhor Jesus Cristo, encomendo-te a minha pobre alma. Oh! meu Pai celeste! em breve tenho de deixar este corpo, mas sei que ficarei eternamente contigo e que ninguém me pode arrebatar das tuas mãos”. Então, depois de recitar João 3:16 três vezes, repetiu as palavras: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito, pois tu me resgataste, Deus fiel”. Assim fechou os olhos e adormeceu.

Um imenso cortejo de crentes que o amavam ardentemente, com cinqüenta cavaleiros à frente, saiu de Eisleben para Wittenberg; passando pela porta da cidade onde o reformador queimara a bula de excomunhão, entrou pelas portas da Igreja onde, há vinte e nove anos, afixara suas 95 teses. No culto fúnebre, Bugenhangen, o pastor, e Melancton, inseparável companheiro de Lutero, discursaram. Depois abriram a sepultura, preparada ao lado do púlpito, e ali depositaram o corpo.

Quatorze anos depois, o corpo de Melancton achou descanso do outro lado do púlpito. Em redor dos dois, jazem os restos mortais de mais de noventa mestres da universidade.

As portas da Igreja do Castelo, destruídas pelo fogo no bombardeio de Wittenberg em 1760, foram substituídas por portas de bronze em 1812, nas quais estão gravadas as 95 teses. Contudo, este homem que perseverou em oração, deixou gravadas, não no metal que perece, mas em centenas de milhões de almas imortais, a Palavra de Deus que dará fruto para toda a eternidade

Fonte: Heróis da Fé, Editora CPAD.

Reforma Protestante: Dez citações marcantes das 95 Teses de Lutero

 

Monumento a Martinho Lutero. (Foto: Pixabay)

O Dia da Reforma, celebrado em 31 de outubro, destaca a coragem de Martinho Lutero e seu compromisso com a pureza da fé cristã.

Reforma Protestante celebra 507 anos, marcada pelo ato do monge alemão Martinho Lutero de pregar as chamadas “95 Teses” na porta da igreja de Wittenberg, na Alemanha.

A ação foi um divisor teológico entre os ensinamentos da Igreja Católica Romana e o Protestantismo, que acabava de nascer, configurando-se como um dos eventos mais significativos da história da Igreja Cristã.

As 95 teses de Lutero, ou pontos de debate, contestavam diversas práticas da Igreja Católica Romana, como a indulgência papal, que é a absolvição das consequências temporais de um pecado, que, segundo a doutrina católica, ainda pode afetar a alma, mesmo após o perdão divino. As teses também discutiam questões relacionadas à salvação e às obras.

Após a publicação das teses na porta de Wittemberg, Lutero foi julgado e formalmente declarado herege.

O Dia da Reforma, celebrado em 31 de outubro, destaca a coragem de Martinho Lutero e seu compromisso com a pureza da fé cristã.

Conheça 10 citações dentre as 95 teses de Lutero:

1. O Papa não deseja nem pode perdoar quaisquer penas, exceto aquelas impostas pela sua própria autoridade ou pelas leis da Igreja.

2. Todo e qualquer cristão que se arrepende verdadeiramente dos seus pecados, sente pesar por ter pecado, tem pleno perdão da pena e da dívida, perdão esse que lhe pertence mesmo sem breve de indulgência.

3. Comete-se injustiça contra a Palavra de Deus quando, no mesmo sermão, se consagra tanto ou mais tempo à indulgência do que à pregação da Palavra do Senhor.

4. Aqueles que acreditam que podem ter certeza da sua salvação por causa das indulgências serão eternamente condenados, juntamente com os seus ensinadores.

5. Os cristãos devem aprender que quem dá aos pobres ou empresta aos necessitados faz melhor do que quem compra indulgências.

6. Os cristãos devem aprender que quem vê uma pessoa necessitada e passa por ela, mas dá dinheiro para indulgências, não compra indulgências de papel, mas a ira de Deus.

7. O verdadeiro tesouro da igreja é o santo Evangelho da glória e graça de Deus.

8. Por que o Papa, cuja riqueza hoje excede a do mais rico Crasso, não constrói esta Basílica de São Pedro com o seu próprio dinheiro, em vez de com o dinheiro dos crentes pobres?

9. Que bênção maior poderia a Igreja receber do que se o Papa concedesse estas remissões e bênçãos a cada crente cem vezes por dia, como agora faz uma vez por dia?

10. Suprimir estes argumentos muito contundentes dos leigos apenas pela força e não os resolver apresentando razões expõe a Igreja e o Papa ao ridículo dos seus inimigos e torna os cristãos infelizes.

Fonte: Guiame, com informações do Christian Post

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

QUAL É O PROPÓSITO DE SUA VIDA?

 


Gn 27 e 28

Neste momento quero convidar-lhe para continuarmos a aprender com a vida de Jacó, e assim buscarmos desvendar o Propósito de Vida deste servo de Deus e tirarmos algumas lições para as nossas vidas hoje, pois a vida de Jacó é Uma Jornada Através da Fé, Enganos e Transformação.

Jacó, figura bíblica central no livro de Gênesis, trilhou uma jornada complexa e rica em simbolismos, marcada por lutas, traições, fé inabalável e redenção. Desvendar o seu propósito de vida significa mergulhar num relato de transformação pessoal e conexão profunda com Deus, mediante uma jornada de transformação.

Desde o início da sua vida, Jacó destacou-se por sua astúcia e ambição. Ainda jovem, enganou seu irmão Esaú, obtendo a primogenitura e a bênção paterna de seu pai Isaque, conforme podemos ver no relato bíblico de Gênesis, capítulo 27. Por causa desta atitude de Jacó, ele passou a ter problemas com seu irmão Esaú. Essa artimanha, embora questionável do ponto de vista moral, prenunciava a sagacidade e a determinação que marcariam sua trajetória.

Fugindo da ira de Esaú, Jacó precisou lutar pela sobrevivência e prosperidade, indo se refugiar em Harã, onde trabalhou para seu tio Labão por 20 anos. Lá, formou uma família numerosa e prosperou materialmente. No entanto, a ambição o impulsionava a buscar algo mais elevado, ele sabia que ali não era o seu lugar, a sua terra.

1-Encontro Transformador com Deus

A deixar a terra do seu tio Labão, ao retornar para Canaã, em Peniel, Jacó travou uma luta física e espiritual com um ser divino. Esse momento crucial marcou um ponto de virada em sua vida. Ele recebeu o novo nome Israel, que significa “aquele que luta com Deus”, e foi abençoado. Essa experiência o fortaleceu e o preparou para os desafios que viriam pela frente em sua vida

Após anos de trabalho e aprimoramento, Jacó finalmente retornou à sua terra natal, mas antes ele precisava se reconciliar com o seu irmão, para assim recomeçar uma nova vida. O reencontro com Esaú foi marcado por reconciliação e perdão, demonstrando o crescimento pessoal de Jacó.

Jacó se tornou pai das 12 tribos de Israel, estabelecendo as bases para a nação que surgiria. Sua história é um testemunho da capacidade de Deus de transformar indivíduos fracos, mesmo aqueles com falhas e imperfeições. Por meio de lutas e aprendizados, Jacó tornou-se um líder forte e um símbolo de fé para seu povo, deixando assim um legado de fé e esperança não somente para o povo judeu, mas para todo o homem que teme a Deus.

2- Uma Vida Transformada por Deus

O propósito de vida de Jacó não se limitou à conquista de bens materiais ou poder político. Sua história serve como um lembrete de que, mesmo em meio a erros e desafios, Deus pode nos guiar e moldar para um propósito maior. Através da fé, resiliência e disposição para aprender com os erros, Jacó se tornou um ancestral venerado e um exemplo de transformação pessoal.

A jornada de Jacó oferece diversas lições valiosas para a vida moderna na atualidade para quais nós precisamos aprender para viver:

  • Enfrentar desafios com fé e determinação - Jacó nos ensina a não desistir diante das dificuldades, mas sim a enfrentá-las com fé e determinação, buscando sempre o crescimento pessoal e espiritual.
  • Reconhecer erros e buscar redenção - Jacó errou, mas reconheceu seus erros e buscou redenção. Sua história nos ensina a sermos humildes, reconhecermos nossas falhas e buscarmos o perdão e a transformação.
  • Manter a fé em Deus em todas as circunstâncias -Jacó nunca perdeu a fé em Deus, mesmo nos momentos mais difíceis. Sua fé o sustentou e o guiou em sua jornada.
  • Perdoar e buscar reconciliação - Jacó perdoou seu irmão Esaú e se reconciliou com ele. Sua história nos ensina a importância do perdão e da reconciliação em nossas relações interpessoais.

É verdade que hoje, assim como Jacó, podemos encontrar sentido e propósito na vida através da comunhão com Deus. Para muitos, essa conexão é algo maior que se oferece:

a-Um senso de amor e aceitação incondicionais: A crença em um poder superior pode fornecer conforto e segurança, especialmente em momentos difíceis. A fé pode oferecer a certeza de que somos amados e cuidados, mesmo quando as coisas parecem desafiadoras.

b- Um senso de propósito e significado: Acreditar em Deus pode nos dar um senso de direção e propósito na vida. Sentir-se conectado a um plano maior pode nos motivar a agir de acordo com seus valores e fazer a diferença no mundo.

c-Uma estrutura moral - A religião que nos liga ao Senhor pode fornecer às pessoas um guia moral e ético. A nossa fé em Deus pode nos ajudar a tomar decisões que estejam alinhadas com seus valores e a viver uma vida de acordo com seus princípios.

d-Conexão com algo maior que si -A comunhão com Deus pode dar às pessoas uma sensação de paz e conexão com algo maior que si mesmas. Essa conexão pode fornecer força e resiliência em tempos difíceis e pode ajudar as pessoas a apreciar a beleza e o mistério da vida.

É importante notar que nem todos encontram sentido e propósito na vida através da religião, porque nem toda religião conduz o homem para a presença de Deus. Algumas pessoas encontram significado em seus relacionamentos, em seu trabalho, em seus passatempos ou em seus valores pessoais.

Se você está interessado em aprender mais sobre como a comunhão com Deus pode dar sentido e propósito à sua vida, você pode explorar as seguintes opções:

  • Visite um local de culto. Participar de um serviço religioso pode ser uma ótima maneira de aprender mais sobre uma religião e suas crenças. Você também pode ter a oportunidade de conhecer pessoas que compartilham seus interesses.
  • Leia textos bíblicos. A Palavra de Deus tem textos sagrados que contêm histórias, ensinamentos e sabedoria que podem ajudá-lo a aprofundar sua fé.
  • Junte-se a um grupo de estudo. Grupos de estudo podem ser uma ótima maneira de aprender mais sobre a fé em um ambiente informal e de discutir suas crenças com outras pessoas.
  • Ore ou medite. A oração e a meditação podem iluminar a sua mente e ajudá-lo a se conectar com o Senhor Jesus e a encontrar paz e propósito em sua vida.

Portanto, a vida de Jacó é um lembrete de que o propósito de vida não é um destino traçado, mas sim uma jornada de crescimento e transformação guiada por Deus. Ao enfrentarmos desafios com fé, reconhecermos nossos erros, buscarmos redenção e mantermos a fé inabalável, podemos alcançar nosso verdadeiro potencial e contribuir para um mundo melhor e fazer diferença em nossa geração.

Pr. Eli Vieira

Incoerência de Fé

 



Por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando? Lucas 6:46


O que está implícito na pergunta feita por Jesus em Lucas 6:46 é a incoerência entre professar a fé em Cristo e não viver de acordo com seus ensinamentos.

Reconhecer Jesus como Senhor é o mesmo que declarar que ele é o nosso Amo, e isso implica não apenas verbalizar, mas agir de maneira que reflita sua autoridade em nossas vidas. 

Se Ele é o Amo e nós, os servos, a obediência deve ser uma consequência natural da fé, de forma integral. Pois quando falamos de fé, mas não obedecemos, caímos em contradição. 

A verdadeira fé se manifesta em uma vida submissa à vontade de Deus, na qual o servo segue o Senhor em todas as coisas. Não podemos chamá-lo de Senhor e ao mesmo tempo desconsiderar seus mandamentos. 

A incoerência de fé ocorre quando professamos com os lábios, mas negamos com nossas atitudes.

Presb. Levi Almeida

quinta-feira, 15 de agosto de 2024

“Avivamento”: Mesquitas são fechadas no Irã e muçulmanos aceitam Jesus

 


O Evangelho está alcançando o Oriente Médio. (Foto: Reprodução/Instagram/The Voice of the Martyrs)

Apesar da perseguição local, muitos estão abandonando o islamismo e encontrando esperança em Jesus.

Em meio ao clima de guerra no Oriente Médio, há notícias de que muitos muçulmanos estão experimentando um despertar espiritual. Com isso, mesquitas também estão fechando.

No Irã, uma pesquisa interna anônima descobriu que 80% dos iranianos preferem um governo democrático, e muitos estão deixando o islamismo.

Todd Nettleton, do The Voice of the Martyrs (VOM), explicou: “Você tem um país com uma das maiores taxas de dependência de drogas do mundo. Você tem um país onde a corrupção corre solta. Você tem um país onde mais da metade das pessoas vive abaixo da linha da pobreza”.

“E o povo do Irã está olhando para isso e dizendo: ‘Espere um minuto. Se é isso que o islamismo nos trouxe nos últimos 45 anos, não estamos interessados. Queremos saber quais são as outras opções'”, acrescentou.

De acordo com Nettleton, muitos estão escolhendo Jesus, com pelo menos um milhão de muçulmanos supostamente abandonando o islamismo para seguir a Cristo.

Com cerca de 50.000 das 75.000 mesquitas atualmente fechadas, o líder contou que o regime do país não está feliz.

“Eles estão buscando solidificar seu poder e esmagar qualquer tipo de dissidência”, disse Nettleton. 

E continuou: “Ouvimos várias histórias este ano de estudo da Bíblia e uma igreja doméstica sendo invadida. Lá, todos são fotografados e interrogados. Mas, então, eles são detidos e colocados na prisão”.

Além disso, Nettleton destacou que familiares e amigos são mais tolerantes do que o governo sobre abandonar o islamismo.

“Eles pensam assim: ‘Se você encontrou algo que funciona para você, então estou feliz. Eu sei que o islamismo não funciona'”, explicou ele.

Sonhos e visões

Don Shenk, diretor executivo do The Tide Ministry, disse que acredita que o que está acontecendo no país representa “o que está acontecendo no mundo islâmico”.

Ele contou que os muçulmanos estão tendo sonhos e visões, que os levam a encontrar um propósito e uma nova perspectiva sobre Deus.

“Muitos dizem: ‘Agora eu entendo que Deus me ama. Eu sempre pensei que Deus queria me punir’”, explicou ele. 

Há um despertar acontecendo em todo o mundo muçulmano, não apenas no Irã”, acrescentou.

Shenk destacou que pessoas estão sendo alcançadas pelo Evangelho no Afeganistão através de transmissões de rádio, onde o Talibã representa um grande perigo para aqueles que buscam informações de cristãos secretos no país.

“Há muita suspeita. Se eu vou me encontrar com essas pessoas e compartilhar que agora sou um crente, pensam: ‘Eles são realmente verdadeiros crentes ou estão apenas tentando me identificar?'”, disse ele. 

“É mais do que simplesmente ser condenado ao ostracismo ou rejeitado pela sua família. É, na verdade, a ameaça da morte. Então, aceitar uma nova vida em Cristo significa aceitar a possibilidade de sua vida acabar neste mundo”, acrescentou.

O cristianismo também está se espalhando no Iêmen, onde o “Joshua Project” informou que o crescimento cristão é quase o dobro da média global. 

Além disso, Nettleton vê a monarquia da Arábia Saudita se tornando um pouco mais tolerante com os cristãos e suas igrejas.
   
“Não necessariamente acolhendo de braços abertos, obviamente. Mas apenas o entendimento de que isso poderia acontecer, que poderia haver cristãos aqui. E talvez isso não seja a pior coisa do mundo. Essa é uma mudança tão grande em relação ao que teríamos visto há 10, 15 ou 20 anos”, explicou ele.

Esse despertar está trazendo mudanças que podem transformar não apenas o Irã, mas todo o Oriente Médio.

Fonte: Guiame, com informações de CBN News

segunda-feira, 12 de agosto de 2024

IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL 165 ANOS

 

História da Igreja Presbiteriana do Brasil

Existem no Brasil várias denominações originárias da Reforma Suíça ou Movimento Reformado. Algumas se identificam como presbiterianas, como a Igreja Presbiteriana Independente, a Igreja Presbiteriana Conservadora, a Igreja Presbiteriana Renovada e a Igreja Presbiteriana Unida. Outras se denominam reformadas, tendo sido criadas por imigrantes vindos da Europa continental, como húngaros, suíços e holandeses. Todavia, a maior e mais antiga denominação reformada do país é a Igreja Presbiteriana do Brasil. Sua história divide-se em alguns períodos bem definidos.

1. Implantação (1859-1869)

O surgimento do presbiterianismo no Brasil resultou do pioneirismo e desprendimento do Rev. Ashbel Green Simonton (1833-1867). Nascido em West Hanover, no sul da Pensilvânia, Simonton estudou no Colégio de Nova Jersey (Princeton) e inicialmente pensou em ser professor ou advogado. Alcançado por um reavivamento em 1855, fez sua profissão de fé e pouco depois ingressou no Seminário de Princeton. Um sermão pregado por seu professor, o famoso teólogo Charles Hodge, levou-o a considerar o trabalho missionário no exterior. Três anos depois, candidatou-se perante a Junta de Missões Estrangeiras da PCUSA, mencionando o Brasil como campo de sua preferência. Dois meses após a sua ordenação, embarcou para o Brasil, chegando ao Rio de Janeiro em 12 de agosto de 1859, aos 26 anos de idade.

Em abril de 1860, Simonton dirigiu o seu primeiro culto em português, e em janeiro de 1862, recebeu os primeiros membros, sendo fundada a Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro. No breve período em que viveu no Brasil, Simonton, auxiliado por alguns colegas, fundou o primeiro jornal evangélico do país (Imprensa Evangélica, 1864), criou o primeiro presbitério (1865) e organizou um seminário (1867). O pioneiro morreu vitimado pela febre amarela aos 34 anos, em dezembro de 1867. Sua esposa, Helen Murdoch Simonton, havia falecido três anos antes.

Os principais colaboradores de Simonton nesse período foram: seu cunhado Alexander Latimer Blackford, que em 1865 organizou as igrejas de São Paulo e Brotas; Francis Joseph Christopher Schneider, que trabalhou entre os imigrantes alemães em Rio Claro, lecionou no seminário do Rio e foi missionário na Bahia; George Whitehill Chamberlain, grande evangelista e operoso pastor da Igreja de São Paulo. Os quatro únicos estudantes do “seminário primitivo” foram também notáveis pastores: Antônio Bandeira Trajano, Miguel Gonçalves Torres, Modesto Perestrello Barros de Carvalhosa e Antônio Pedro de Cerqueira Leite.

Outras poucas igrejas organizadas no primeiro decênio foram as de Lorena, Borda da Mata (Pouso Alegre) e Sorocaba. O homem que mais contribuiu para a criação dessas e outras igrejas foi o notável Rev. José Manoel da Conceição (1822-1873), um ex-sacerdote que se tornou o primeiro brasileiro a ser ordenado ministro do evangelho, em 17 de dezembro de 1865. Ele visitou incansavelmente dezenas de vilas e cidades no interior de São Paulo, Vale do Paraíba e sul de Minas, pregando o evangelho da graça.

2. Consolidação (1869-1888)

Simonton e seus companheiros eram todos da Igreja Presbiteriana do norte dos Estados Unidos (PCUSA). Em 1869 chegaram os primeiros missionários da Igreja do Sul (PCUS): George Nash Morton e Edward Lane. Eles fixaram-se em Campinas (SP), região onde havia muitas famílias norte-americanas que haviam emigrado para o Brasil após a Guerra Civil no seu país (1861-1865). Em 1870, Morton e Lane fundaram a Igreja Presbiteriana de Campinas e, em 1873, o famoso, porém efêmero, Colégio Internacional. Os missionários da PCUS evangelizaram a região da Mogiana, o oeste de Minas, o Triângulo Mineiro e o sul de Goiás. O pioneiro em várias dessas regiões foi o incansável Rev. John Boyle.

Os obreiros da PCUS também foram os pioneiros presbiterianos no Nordeste e Norte do Brasil (de Alagoas até a Amazônia). Os principais foram John Rockwell Smith, fundador da igreja do Recife (1878); DeLacey Wardlaw, pioneiro em Fortaleza; e o Dr. George W. Butler, o “médico amado” de Pernambuco. O mais conhecido dentre os primeiros pastores brasileiros do Nordeste foi o Rev. Belmiro de Araújo César, patriarca de uma grande família presbiteriana.

Enquanto isso, os missionários da Igreja do Norte dos Estados Unidos também continuavam o seu trabalho, auxiliados por novos colegas. Seus principais campos eram a Bahia e Sergipe, onde atuou, além de Schneider e Blackford, o Rev. John Benjamin Kolb; Rio de Janeiro, cuja igreja inaugurou seu templo em 1874, e Nova Friburgo, onde trabalhou o Rev. John Merrill Kyle; Paraná, cujos pioneiros foram Robert Lenington e George Anderson Landes, e especialmente São Paulo. Na capital paulista, o casal Chamberlain fundou em 1870 a Escola Americana, que mais tarde veio a ser o Mackenzie College, dirigido pelo educador Horace Manley Lane. No interior da província destacou-se o Rev. João Fernandes Dagama, português da Ilha da Madeira. No Rio Grande do Sul, trabalhou por algum tempo o Rev. Emanuel Vanorden, um judeu holandês.

Entre os novos pastores “nacionais” desse período estavam Eduardo Carlos Pereira, José Zacarias de Miranda, Manuel Antônio de Menezes, Delfino dos Anjos Teixeira, João Ribeiro de Carvalho Braga e Caetano Nogueira Júnior. As duas igrejas norte-americanas também enviaram ao Brasil notáveis missionárias educadoras como Mary Parker Dascomb, Elmira Kuhl, Ariana Henderson e Charlotte Kemper.

3. Dissensão (1888-1903)

Em 6 de setembro de 1888 foi organizado o Sínodo da Igreja Presbiteriana do Brasil, que assim tornou-se autônoma, desligando-se das igrejas-mães norte-americanas. O Sínodo compunha-se de três presbitérios (Rio de Janeiro, Campinas-Oeste de Minas e Pernambuco) e tinha vinte missionários, doze pastores nacionais e 59 igrejas. O primeiro moderador foi o veterano Rev. Alexander Blackford. O Sínodo criou o Seminário Presbiteriano, elegeu seus dois primeiros professores e dividiu o Presbitério de Campinas e Oeste de Minas em dois: São Paulo e Minas.

Nesse período a denominação expandiu-se grandemente, com muitos novos missionários, pastores brasileiros e igrejas locais. O Seminário começou a funcionar em Nova Friburgo no final de 1892 e no início de 1895 transferiu-se para São Paulo, tendo à frente o Rev. John Rockwell Smith. O Mackenzie College ou Colégio Protestante foi criado em 1891, sendo seu primeiro presidente o Dr. Horace M. Lane. Por causa da febre amarela, o Colégio Internacional foi transferido de Campinas para Lavras, no sul de Minas, e mais tarde veio a chamar-se Instituto Gammon, numa homenagem ao seu grande líder, o Rev. Samuel Rhea Gammon (1865-1928).

A primeira escola evangélica do Nordeste foi o Colégio Americano de Natal (1895), fundado por Katherine H. Porter, esposa do Rev. William Calvin Porter. Na mesma época, a cidade de Garanhuns começou a tornar-se um grande centro da obra presbiteriana. Além do trabalho evangelístico, foram lançadas as bases de duas importantes instituições educacionais: o Colégio 15 de Novembro e o Seminário do Norte, hoje sediado em Recife. No final desse período, além de estar presente em todos os estados do Nordeste, a Igreja Presbiteriana chegou ao Pará e ao Amazonas.

No Sul, foi iniciada a obra presbiteriana em Santa Catarina (São Francisco do Sul e Florianópolis). A igreja também iniciou a sua marcha vitoriosa no leste de Minas. O primeiro obreiro a residir em Alto Jequitibá foi o Rev. Matatias Gomes dos Santos (1901). As igrejas de São Paulo e do Rio de Janeiro passaram a ser pastoreadas por dois grandes líderes, respectivamente Eduardo Carlos Pereira (1888) e Álvaro Emídio Gonçalves dos Reis (1897).

Infelizmente, os progressos desse período foram em parte ofuscados por uma grave crise que se abateu sobre a vida da igreja. Inicialmente, surgiu uma diferença de prioridades entre o Sínodo e a Junta Missionária de Nova York. O Sínodo queria apoio para a obra evangelística e para instalar o Seminário, ao passo que a Junta preferiu dar ênfase à obra educacional, principalmente por meio do Mackenzie. Paralelamente, surgiram desentendimentos entre o pastor da Igreja Presbiteriana de São Paulo, Rev. Eduardo Carlos Pereira, e os líderes do Mackenzie, Horace Manley Lane e William Alfred Waddell.

Com o passar do tempo, o Rev. Eduardo C. Pereira passou a tornar-se mais rigoroso em suas posições, perdendo o apoio até mesmo de muitos dos colegas brasileiros. Como uma alternativa ao jornal de Eduardo, O Estandarte (1893), o Rev. Álvaro Reis criou O Puritano (1899). Em 1900 foi organizada a Igreja Presbiteriana Unida de São Paulo, que resultou da fusão de duas igrejas formadas por pessoas que haviam saído da igreja do Rev. Eduardo. Na mesma época, um novo problema veio complicar ainda mais a situação: o debate acerca da maçonaria.

Em março de 1902, Eduardo Carlos Pereira e seus simpatizantes começaram a divulgar a sua Plataforma, com cinco tópicos sobre as questões missionária, educativa e maçônica. Após pouco mais de um ano de debates acalorados, a crise chegou ao seu triste desfecho no dia 31 de julho de 1903, durante uma reunião do Sínodo na capital paulista. Após serem vencidos em suas propostas, Eduardo e seus colegas desligaram-se do Sínodo e formaram a Igreja Presbiteriana Independente.

4. Reconstituição (1903-1917)

No início de agosto de 1903, os independentes organizaram o seu presbitério, com quinze presbíteros e sete pastores: Eduardo Carlos Pereira, Caetano Nogueira Júnior, Bento Ferraz, Ernesto Luiz de Oliveira, Otoniel Mota, Alfredo Borges Teixeira e Vicente Themudo Lessa. Seguiu-se um triste período marcado por divisões de comunidades, luta pela posse de propriedades e litígios judiciais. Uma pastoral do Presbitério Independente chegou a vedar aos sinodais a Ceia do Senhor. Os anos mais conflitivos estenderam-se até 1906. Nessa época, o Sínodo contava com 77 igrejas e cerca de 6.500 membros; em 1907, os independentes tinham 56 igrejas e 4.200 comungantes.

O novo prédio do Seminário Presbiteriano, no bairro de Higienópolis, foi ocupado sem solenidade em setembro de 1899. Os principais professores eram os Revs. John Rockwell Smith e Erasmo de Carvalho Braga, este último a partir de 1901; o principal membro da diretoria era o Rev. Álvaro Reis. Em fevereiro de 1907, o seminário foi transferido para Campinas, ocupando a antiga propriedade do Colégio Internacional, no alto da Rua Dr. Quirino. A primeira turma de Campinas só se formou em 1912. Entre os formandos estavam Tancredo Costa, Herculano de Gouvêa Júnior, Miguel Rizzo Júnior e Pascoal Luiz Pitta. Mais tarde viriam Guilherme Kerr, Jorge Thompson Goulart, Galdino Moreira e José Carlos Nogueira.

A obra presbiteriana crescia em muitos lugares, recuperando as perdas sofridas em 1903. A primeira cidade atingida no Leste de Minas foi Alto Jequitibá e, no vizinho estado do Espírito Santo, São José do Calçado. Os primeiros pastores daqueles campos foram Matatias Gomes dos Santos, Aníbal Nora, Constâncio Homero Omegna e Samuel Barbosa. No Vale do Ribeira, o evangelista Willis Roberto Banks realizava notável trabalho de plantação de igrejas. A família Vassão daria grandes contribuições à igreja.

Em 1907, o Sínodo dividiu-se em dois (Norte e Sul) e em 1910 foi organizada a Assembleia Geral da Igreja Presbiteriana do Brasil. O moderador do último sínodo e instalador da Assembleia Geral foi o veterano Modesto Carvalhosa, ordenado 40 anos antes. A Assembleia Geral foi instalada na Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro e o Rev. Álvaro Reis foi eleito seu primeiro moderador. Os conciliares visitaram a Ilha de Villegaignon para lembrar os mártires calvinistas da França Antártica (1558) e comemorar o 4º centenário do nascimento de Calvino. Na época, a Igreja Presbiteriana do Brasil tinha 10.000 membros comungantes, outro tanto de menores e cerca de 150 igrejas em sete presbitérios. As demais denominações tinham os seguintes números: metodistas – 6.000 membros; independentes – 5.000; batistas – 5.000; episcopais – cerca de 1.000. Em 1911, a IPB enviou o seu primeiro missionário a Portugal, Rev. João da Mota Sobrinho, que lá permaneceu até 1922.

Os missionários americanos continuam em plena atividade. Devido a divergências quanto ao lugar da educação na obra missionária, a Missão Sul da PCUS dividiu-se em Missão Leste (Lavras) e Missão Oeste (Campinas). O Rev. William Waddell fundou uma influente escola em Ponte Nova, na Chapada Diamantina da Bahia. Pierce Chamberlain, filho do Rev. George Whitehill, trabalhou nesse estado de 1899 a 1909. A obra presbiteriana em Mato Grosso começou nesse período: os pioneiros foram os missionários Franklin Floyd Graham (1913) e Filipe Landes (1915).

Em 1917, foi aprovado o “Modus Operandi” ou Plano Brasileiro, um acordo entre a igreja e as missões norte-americanas pelo qual os missionários desligaram-se dos concílios da IPB, separando-se os campos nacionais (presbitérios) dos campos das missões. Em 1924, a Assembleia Geral da IPB reuniu-se pela primeira vez sem a presença de missionários americanos como delegados de presbitérios.

5. Cooperação (1917-1932)

O maior líder presbiteriano desse período foi o Rev. Erasmo Braga (1877-1932), professor do Seminário Presbiteriano e secretário da Assembleia Geral. Em 1916, ele participou com dois colegas do Congresso de Ação Cristã na América Latina, no Panamá. Poucos anos depois, tornou-se o dinâmico secretário da Comissão Brasileira de Cooperação, entidade que liderou um grande esforço cooperativo entre as igrejas evangélicas do Brasil na década de 1920. As principais áreas de cooperação foram literatura, educação cristã e educação teológica. Foi fundado o Seminário Unido no Rio de Janeiro, que existiu até 1932.

Outros esforços cooperativos desse período foram: (1) Instituto José Manoel da Conceição (1928), fundado pelo Rev. William A. Waddell na cidade de Jandira, perto de São Paulo, visando preparar jovens que depois seguiriam para o seminário. (2) Associação Evangélica de Catequese dos Índios (1928), depois Missão Evangélica Caiuá: idealizada pelo Rev. Albert S. Maxwell e instalada em Dourados, Mato Grosso; esforço cooperativo das igrejas presbiteriana, independente, metodista e episcopal.

O Seminário de Campinas correu o risco de ser extinto por causa do Seminário Unido, mas finalmente superou a crise. Em 1921, o Seminário do Norte foi transferido para o Recife. As principais instituições educacionais das missões americanas eram as seguintes: Colégio Agnes Erskine (Recife); Colégio 15 de Novembro (Garanhuns); Instituto Ponte Nova (Wagner, BA); Colégio 2 de Julho (Salvador); Instituto Gammon (Lavras); Instituto Cristão (Castro) e principalmente o Instituto Mackenzie. Os principais periódicos presbiterianos eram O Puritano e Norte Evangélico.

Em 1924, a Assembleia Geral encerrou o trabalho missionário em Lisboa. No mesmo ano, Erasmo Braga e alguns amigos fundaram a Sociedade Missionária Brasileira de Evangelização em Portugal, que enviou para aquele país o Rev. Pascoal Luiz Pitta e sua esposa Odete. O casal ali esteve por quinze anos (1925-1940), regressando ao Brasil devido à constante falta de recursos.

Em 1921, morreu o Rev. Antônio Bandeira Trajano. Com ele desapareceu a primeira geração de obreiros presbiterianos no Brasil, os da década de 1860. Outros obreiros falecidos nesse período foram: Eduardo Carlos Pereira (1923), Álvaro Reis (1925), Carlota Kemper (1927), Samuel Gammon (1928) e Erasmo Braga (1932).

6. Organização (1932-1959)

Neste período a IPB continuou a crescer e a aperfeiçoar a sua estrutura, criando entidades voltadas para o trabalho feminino, mocidade, missões nacionais e estrangeiras, literatura e ação social. O período terminou com a comemoração do centenário do presbiterianismo no Brasil.

A igreja era constituída dos seguintes sínodos: (1) Setentrional: estendia-se de Alagoas até a Amazônia, estando o maior número de igrejas no Estado de Pernambuco; (2) Bahia-Sergipe: criado em 1950, quando o Presbitério Bahia-Sergipe, antigo campo da Missão Central, dividiu-se nos presbitérios de Salvador, Campo Formoso e Itabuna; (3) Minas-Espírito Santo: surgiu em 1946, abrangendo o leste de Minas e o Espírito Santo, a região de maior crescimento da igreja; (4) Central: formado em 1928, incluía o Estado do Rio de Janeiro, bem como o sul e o oeste de Minas Gerais; (5) Meridional: sínodo histórico (1910-1947), abrangia São Paulo, Paraná e Santa Catarina; (6) Oeste do Brasil: foi formado em 1947, abrangendo todo o norte e oeste de São Paulo. No final da década de 50, foram entregues pelas missões os Presbitérios do Triângulo Mineiro, Goiás e Cuiabá.

Nesse período, as missões norte-americanascontinuaram o seu trabalho:

(1) Igreja do Sul (PCUS): (a) Missão Norte: atuou no Nordeste, onde o principal obreiro foi o Rev. William Calvin Porter (†1939); o campo mais importante era o de Garanhuns, onde estavam o Colégio 15 de Novembro e o jornal Norte Evangélico; (b) Missão Leste: atuou no oeste de Minas e depois em Dourados, Mato Grosso, cuja igreja foi organizada em 1951. (c) Missão Oeste: concentrou-se mais no Triângulo Mineiro, onde o casal Edward e Mary Lane fundou em 1933 o Instituto Bíblico de Patrocínio.

(2) Igreja do Norte (PCUSA): (a) Missão Central: seus principais campos eram Ponte Nova/Itacira, a bacia do Rio São Francisco, o sul da Bahia e o norte de Minas.; (b) Missão Sul: atuou no Paraná e Santa Catarina, fundindo-se com a Missão Central em 1937. O Rev. Filipe Landes foi grande evangelista no Mato Grosso (norte e sul). Em Rio Verde, Goiás, atuou o Dr. Donald Gordon.

Trabalho feminino: as primeiras sociedades de senhoras surgiram em 1884-1885 e as primeiras federações, na década de 1920. Os primeiros secretários gerais do trabalho feminino foram o Rev. Jorge Thompson Goulart e as sras. Genoveva Marchant, Blanche Lício, Cecília Siqueira e Nady Werner. O primeiro congresso nacional reuniu-se na Igreja Presbiteriana do Riachuelo, no Rio de Janeiro, em 1941; o segundo congresso realizou-se também no Rio em 1954. O periódico SAF em Revista foi criado em 1954.

Mocidade: algumas entidades precursoras foram a Associação Cristã de Moços (Myron Clark), o Esforço Cristão (Clara Hough) e a União Cristã de Estudantes de Brasil (Eduardo Pereira de Magalhães). Benjamim Moraes Filho foi o primeiro secretário do trabalho da mocidade (1938). O primeiro congresso nacional reuniu-se em Jacarepaguá em 1946, quando foi criada a confederação nacional. Entre os líderes da época estavam Francisco Penha Alves, Jorge César Mota, Paulo César, Waldo César, Tércio Emerique, Gutenberg de Campos, Paulo Lício Rizzo e Billy Gammon.

Missões Nacionais: em 1940 foi organizada na Igreja Presbiteriana Unida a Junta Mista de Missões Nacionais, com representantes da IPB e das missões norte-americanas. Entre os primeiros líderes estavam Coriolano de Assunção, Guilherme Kerr, Filipe Landes, Eduardo Lane, José Carlos Nogueira e Wilson Nóbrega Lício. Até 1958, a Junta ocupou quinze regiões em todo o Brasil, com cerca de 150 locais de pregação. Em 1950 foi criada a Missão Presbiteriana da Amazônia.

Missão em Portugal: como foi visto, os primeiros obreiros foram João Marques da Mota Sobrinho (1911-1922) e Pascoal Luiz Pitta (1925-1940). Em 1944 a IPB assumiu o trabalho e foi criada a Junta de Missões Estrangeiras, com o apoio das igrejas norte-americanas. Os primeiros missionários foram Natanael Emerique, Aureliano Lino Pires, Natanael Beuttenmuller e Teófilo Carnier.

Outras organizações:(a)Casa Editora Presbiteriana: começou a ser organizada em 1945, no início da Campanha do Centenário, sob a liderança do Rev. Boanerges Ribeiro. A primeira sede foi instalada em dependências cedidas pela Igreja Presbiteriana Unida, na Rua Helvetia, em São Paulo.(b) Orfanato: em 1910, a Assembleia Geral planejou um orfanato para Lavras; em 1919, ele passou a funcionar em Valença (RJ) e em 1929 veio a ocupar uma propriedade da igreja de Copacabana em Jacarepaguá. O orfanato foi denominado Instituto Álvaro Reis. (c) Conselho Inter-Presbiteriano (CIP): foi criado em 1955 para superintender as relações da IPB com as missões e as juntas missionárias dos Estados Unidos. Tinha mais autoridade que o “Modus Operandi” de 1917.

Outras igrejas no período:

(a) Igreja Presbiteriana Independente: em 1957, a IPIB criou o seu Supremo Concílio, com três sínodos, dez presbitérios, 189 igrejas, 105 pastores e cerca de 30.000 membros comungantes. O Estandarte continuava a ser o jornal oficial. No final dos anos 30, a IPI experimentou um conflito teológico que resultou nos dois grupos seguintes.

(b) Igreja Presbiteriana Conservadora: foi fundada em 1940 pelos membros da Liga Conservadora da IPI, liderados pelo Rev. Bento Ferraz. Em 1957, contava com mais de vinte igrejas em quatro estados e tinha um seminário. Seu órgão oficial era O Presbiteriano Conservador.

(c) Igreja Cristã de São Paulo: foi formada em 1942 por um grupo de intelectuais progressistas egressos da IPI, entre os quais os Revs. Otoniel Mota, Epaminondas Melo do Amaral e Eduardo Pereira de Magalhães (neto de Eduardo Carlos Pereira). Estava sediada no bairro de Santa Cecília, em São Paulo, e teve curta duração.

(d) Igreja Presbiteriana Fundamentalista: foi fundada em 1956 pelo Rev. Israel Furtado Gueiros, pastor da Igreja Presbiteriana do Recife e ligado ao Concílio Internacional de Igrejas Cristãs, do líder fundamentalista americano Carl McIntire.

Neste período, a IPB participou de vários movimentos cooperativos: Associação Evangélica Beneficente (fundada por Otoniel Mota em 1928), Associação Cristã de Beneficência Ebenézer (dirigida pelo Dr. Benjamin Hunnicutt), Missão Evangélica Caiuá (1928), Instituto José Manoel da Conceição (1928), Confederação Evangélica do Brasil (1934), Sociedade Bíblica do Brasil (1948), Centro Áudio-Visual Evangélico/CAVE (1951) e Universidade Mackenzie (1952), transferida à IPB em novembro de 1961.

Constituição da IPB: em 1924, foram aprovadas pequenas modificações no antigo Livro de Ordem adotado quando da criação do Sínodo, em 1888. Em 1937, entrou em vigor a nova Constituição da Igreja (os independentes haviam aprovado a sua três anos antes), sendo criado o Supremo Concílio. Houve protestos do norte contra alguns pontos: diaconato para ambos os sexos, “confirmação” em vez de “profissão de fé” e o nome “Igreja Cristã Presbiteriana”. Em 1950, foi promulgada um nova Constituição e no ano seguinte o Código de Disciplina e os Princípios de Liturgia.

Estatística: em 1957, a IPB contava com seis sínodos, 41 presbitérios, 489 igrejas, 883 congregações, 369 ministros, 127 candidatos ao ministério, 89.741 membros comungantes e 71.650 não-comungantes. Os primeiros presidentes do Supremo Concílio foram os Revs. Guilherme Kerr, José Carlos Nogueira, Natanael Cortez, Benjamim Moraes Filho e José Borges dos Santos Júnior.

Campanha do Centenário: foi lançada em 1946, tendo como objetivos: avivamento espiritual, expansão numérica, consolidação das instituições da igreja, afirmação da fé reformada e homenagem aos pioneiros. A Comissão Central do Centenário, organizada em 1948, enfrentou muitas dificuldades. Após 1950, a campanha ganhou ímpeto. A Comissão Unida do Centenário (IPB, IPI e Igreja Reformada Húngara) planejou uma grande campanha evangelística que se estendeu por todo o país em 1952. Os conferencistas foram Edwyn Orr e William Dunlap. Outras medidas: criação do Museu Presbiteriano, do Seminário do Centenário (Alto Jequitibá e Vitória) e do jornal Brasil Presbiteriano, resultante da fusão de O Puritano Norte Evangélico, em 1958. De 27 de julho a 6 de agosto de 1959 reuniu-se em São Paulo a 18ª Assembleia da Aliança Presbiteriana Mundial, com delegados de muitos países. O lema do centenário foi: “Um ano de gratidão por um século de bênçãos”.

7. Polarização (1959-1986)

Do ponto de vista teológico, a IPB foi bastante conservadora até o final dos anos 40, quando começou a surgir um período de maior abertura. Em 1948, a igreja enviou um representante à assembleia de organização do Conselho Mundial de Igrejas, porém dois anos mais tarde deliberou manter-se “equidistante” desse organismo e do Conselho Internacional de Igrejas Cristãs, de Carl McIntire. Nos anos 50, começaram a chegar ao país missionários com perspectivas teológicas progressistas, o mais conhecido dos quais foi Millard Richard Shaull, que passou a lecionar no Seminário do Sul e influenciou fortemente muitos estudantes de teologia e a liderança da juventude presbiteriana. No Nordeste, como se viu, o Rev. Israel Furtado Gueiros, pastor da Igreja Presbiteriana de Recife e aliado de Carl McIntire, liderou um movimento de protesto, mas acabou sendo disciplinado e fundou a Igreja Presbiteriana Fundamentalista.

De 1954 a 1962, foi presidente do Supremo Concílio da IPB o Rev. José Borges dos Santos Júnior, pastor da Igreja Presbiteriana Unida de São Paulo, que veio a nutrir forte simpatia pelo movimento ecumênico nacional e internacional. No contexto das comemorações do centenário, a seu convite, reuniu-se em São Paulo a 18ª Assembleia da Aliança Presbiteriana Mundial e em 1961 ele compareceu à 3ª Assembleia do Conselho Mundial de Igrejas, em Nova Delhi, na Índia. Uma importante contribuição do Rev. Borges à igreja foi seu grande empenho nas negociações com os presbiterianos norte-americanos que resultaram na doação do patrimônio do Instituto Mackenzie à IPB em 1961.

O início dos anos 60 foi um período de grande agitação na vida política e social do Brasil, com a crescente aceitação do ideário socialista. As preocupações sociais também se tornaram importantes no movimento evangélico e na igreja presbiteriana. A Confederação Evangélica do Brasil promoveu importantes conferências a respeito do tema, a mais famosa das quais foi a chamada Conferência do Nordeste, em 1962, com o tema “Cristo e o processo revolucionário brasileiro”. No mesmo ano, o Supremo Concílio da IPB aprovou um célebre pronunciamento sobre problemas políticos e sociais, dirigido à igreja e ao povo brasileiro (ver Brasil Presbiteriano, set. 1962, p. 12, e Digesto Presbiteriano, SC-62-200).

Todavia, essa crescente abertura teológica, ecumênica e social preocupava amplos setores da igreja, para os quais ela estava se afastando de modo inaceitável de seus fundamentos reformados históricos. Dois setores da igreja, em especial, causavam apreensões: a Confederação Nacional da Mocidade e o Seminário de Campinas. Há vários anos os líderes dos jovens, por meio de seu órgão oficial, o jornal Mocidade, vinham externando opiniões teológicas ousadas e fazendo críticas aos dirigentes da igreja. Assim, em 1960 a mocidade foi “reestruturada”, sendo sua Confederação Nacional substituída por uma Junta de Orientação da Mocidade. No Seminário do Sul, as preocupações se concentravam em torno das ideias e da conduta dos estudantes.

O Supremo Concílio de 1966 foi um dos mais decisivos da história da Igreja Presbiteriana do Brasil porque representou a vitória da posição tradicional, que desejava mudanças na vida da igreja numa direção conservadora. Foi eleito presidente o Rev. Boanerges Ribeiro (1919-2003), que há anos vinha se destacando por seus dotes de liderança. Ele foi o fundador da Casa Editora Presbiteriana, participou do processo de nacionalização do Mackenzie e desde 1964 era diretor e redator do periódico oficial da igreja, o Brasil Presbiteriano. Essa mudança de rumos da igreja coincidiu com o início de um novo período na vida política do país, após a tomada do poder pelos militares em 1964.

Boanerges Ribeiro esteve à frente da denominação durante três mandatos sucessivos (1966-1978), marcando de modo profundo esse período. A nova orientação se traduziu numa série de ações corretivas que resultaram em medidas disciplinares contra igrejas, concílios e ministros. Infelizmente, muitos pastores que haviam servido fielmente a igreja por longos anos foram envolvidos no turbilhão que se formou e acabaram sendo afastados. A preocupação em manter a herança calvinista clássica e a ortodoxia doutrinária resultou numa forte luta contra três tendências consideradas prejudiciais à igreja: o liberalismo teológico, as práticas ecumênicas e o envolvimento político-social de orientação socialista.

Um quarto problema preocupou os líderes da igreja nesse período – o movimento de renovação espiritual que afetava amplos setores do evangelicalismo brasileiro. Em 1968 foi organizada em Cianorte (PR) a Igreja Cristã Presbiteriana, com elementos egressos da IPB. Quatro anos depois, uma dissidência semelhante deixou a IPI. Em 1975, os dois grupos se uniram para constituir a Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil, de orientação pentecostal. Atualmente, essa igreja tem mais de 100 mil membros em todo o país. No outro extremo do espectro, os elementos de linha progressista que divergiam da nova administração da igreja também organizaram uma estrutura separada. Em 1978, por ocasião do 3º Encontro de Presbiterianos, em Atibaia (SP), foi criada a Federação Nacional de Igrejas Presbiterianas (Fenip), que em 1983 passou a denominar-se Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (IPU).

Como a missão prioritária da igreja voltou a ser entendida em termos de evangelização e não de envolvimento sociopolítico, esse período foi marcado por grande atividade no âmbito de evangelismo e missões. A Comissão Nacional de Evangelização promoveu grandes campanhas em muitos pontos do país. Sob a liderança do Rev. José Costa e dos presbíteros Abílio da Silva Coelho e Dirceu Cerzósimo Souza, a Junta de Missões Nacionais experimentou um crescimento sem precedentes, abrindo inúmeros trabalhos na Amazônia e em outras regiões do Brasil. Depois de muitos anos atuando somente em Portugal, a igreja estava enviando missionários para alguns países latino-americanos, como Argentina, Chile e Venezuela. Posteriormente foram contemplados o Paraguai e a Bolívia.

Esse período também testemunhou o declínio e eventual dissolução das antigas missões presbiterianas norte-americanas que vinham atuando no Brasil há mais de um século. Isso resultou em parte das crescentes e insuperáveis divergências teológicas entre a IPB e suas congêneres dos Estados Unidos, e em parte do entendimento de que as missões há muito haviam cumprido o seu papel e tinham, em certo sentido, se tornado obsoletas. Assim, em 1973 a IPB encerrou suas relações históricas com a Igreja Presbiteriana Unida dos Estados Unidos da América (a antiga Igreja do Norte) e dez anos mais tarde com a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos (Igreja do Sul). Nesse mesmo ano, 1983, essas duas igrejas, separadas há mais de um século, voltaram a se unir, formando a atual PC(USA). Sobre o fim das missões norte-americanas no Brasil, ver: Frank L. Arnold, Uma longa jornada missionária (Cultura Cristã, 2011). Pouco depois, a IPB começou a estabelecer parcerias com algumas denominações reformadas dos Estados Unidos, como a Igreja Presbiteriana Evangélica (EPC) e a Igreja Presbiteriana da América (PCA).

Esse período de orientação conservadora, que teve continuidade nas administrações do Pb. Paulo Breda Filho (1978-1986) e do Rev. Edésio de Oliveira Chequer (1986-1992), também foi marcado por grande preocupação com a educação teológica. Desde 1966 a igreja havia assumido um controle mais estrito da orientação dos seminários por meio de uma comissão especial. Suas ações resultaram em mudanças significativas nos corpos docentes dessas instituições e no encerramento das atividades do Seminário do Centenário, em Vitória, que havia sido criado na véspera do centenário presbiteriano. Nos anos 80, foram criadas extensões do Seminário do Sul em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Goiânia, que mais tarde se tornaram seminários autônomos. Em 1982, a preocupação em dar sólida qualificação aos docentes dos seminários levou à criação de um curso de mestrado em teologia, em São Paulo, com a participação de três professores norte-americanos filiados à Igreja Cristã Reformada: Gerard Van Groningen, Simon J. Kistemaker e Fred H. Klooster.

8. As últimas décadas (1986-atual)

O período 1986-1992 ainda foi de linha conservadora, mas marcou o fim da era Boanerges Ribeiro. O decênio 1992-2002, quando o Supremo Concílio foi presidido pelos Revs. Wilson de Souza Lopes e Guilhermino Silva da Cunha, constituiu um novo período de abertura na trajetória da Igreja Presbiteriana do Brasil. Isso foi exemplificado por um grande esforço de aproximação com a Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, tendo sido criada uma Comissão Paritária de Diálogo com representantes das duas denominações. No entanto, em 1998, o Supremo Concílio da IPI aprovou uma ampla reforma constitucional, que incluiu a ordenação feminina para todos os ofícios, o que causou o esfriamento do processo de aproximação.

A nova atitude de abertura também ficou evidenciada pelas ações dos líderes da igreja em relação à Aliança Mundial de Igrejas Reformadas (Amir), criada em 1970 e sucessora da Aliança Presbiteriana Mundial. O Supremo Concílio de 1986 havia suspendido todo e qualquer relacionamento com a Amir, mas em 1998 a IPB reativou sua condição de membro, no propósito de exercer uma influência positiva nessa organização. Todavia, em 2004 o secretário executivo do Supremo Concílio compareceu à 24ª Assembleia Geral da Amir em Acra, Gana, e relatou que ela foi uma exaltação do pluralismo religioso, da diversidade sexual e do feminismo. Dois anos mais tarde, a IPB se desligou definitivamente dessa organização.

Finalmente, também houve uma tentativa de reatamento com a PC(USA). A convite da mesa do Supremo Concílio, dirigentes dessa igreja vieram ao Brasil em 1994 e 1998. Todavia, em 1994 o concílio magno decidiu pelo não relacionamento com a igreja americana, decisão essa que foi ratificada em 1999. Ao mesmo tempo, a IPB continuou a entrar em diálogo com muitas igrejas reformadas ao redor do mundo. Inicialmente, foram feitos contatos com as igrejas de Angola, Coreia do Sul, Austrália, Chile e Holanda (Igreja Reformada Libertada); posteriormente, com denominações da Escócia, Canadá, México e Moçambique, além da Igreja Presbiteriana Ortodoxa, dos Estados Unidos.

Mediante um convênio com a Igreja Presbiteriana Evangélica, foi criado em 1992 o Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper, uma instituição com nítida orientação reformada destinada a treinar os professores e pastores da igreja em nível pós-graduado. Essa entidade, que foi plenamente institucionalizada em 1997, passou por uma difícil crise em 2001, diante da tentativa de dar-lhe maior abertura teológica, sendo posteriormente reafirmada a sua postura de claro compromisso com a fé reformada histórica. Ao longo de três décadas, o “Andrew Jumper” tem dado inestimáveis contribuições à educação teológica na IPB, beneficiando também inúmeros alunos de outras denominações evangélicas.

Na última década do século 20, a IPB passou por um notável processo de aperfeiçoamento de sua estrutura administrativa, sendo implantado um valioso sistema de planejamento estratégico. Foram criados órgãos como o Plano Missionário Cooperativo, a Rede Presbiteriana de Comunicação, a Agência Presbiteriana de Missões Transculturais e a Associação Nacional de Escolas Presbiterianas. As missões nacionais experimentaram grande crescimento, destacando-se um grande esforço de plantação de igrejas no Rio Grande do Sul, estado até então pouco alcançado pela IPB. Na área das missões transculturais, foi notável o trabalho do missionário Ronaldo Lidório entre os konkombas, em Gana. A igreja também enviou obreiros para muitos outros países ao redor do mundo.

A IPB optou pelo retorno a uma linha teológica mais tradicional quando o Rev. Roberto Brasileiro Silva foi eleito presidente do Supremo Concílio em 2002. Desde então, ele tem estado à frente da igreja por mais de duas décadas, fato inédito no presbiterianismo mundial. Afastando-se de uma posição histórica mantida por um século, a igreja reconsiderou em 2002 a questão maçônica, entendendo que não se tratava meramente de um problema de foro íntimo, mas uma questão bíblico-doutrinária. Em 2006, nova resolução do Supremo Concílio declarou a incompatibilidade entre algumas doutrinas maçônicas e a fé cristã, proibindo a aceitação de novos membros e a eleição de oficiais ligados à maçonaria.

Não obstante seu compromisso prioritário com a evangelização e a plantação de igrejas, a IPB também realiza importante ministério nas áreas educacional e social. A igreja possui conceituados hospitais em Rio Verde (GO), Dourados (MS) e Curitiba (PR). Suas escolas oferecem educação de qualidade para milhares de alunos. Uma instituição que se destaca de modo especial é o Instituto Presbiteriano Mackenzie, com unidades em São Paulo, Barueri, Campinas, Brasília, Rio de Janeiro, Palmas, Curitiba, Castro e Dourados. Ao contrário de muitas instituições educacionais ligadas a igrejas protestantes, a Universidade Presbiteriana Mackenzie tem uma clara identidade confessional, expressando de forma respeitosa, mas enfática, seu compromisso com a fé evangélica e reformada. Para a educação básica, foi elaborado um sistema de ensino fundamentado em princípios cristãos que tem sido adotado por muitas escolas.

No presente, a IPB vive uma situação de relativa estabilidade, motivada, em parte, pela continuidade administrativa que vem ocorrendo há longos anos. Existem diferentes visões no âmbito do culto, da evangelização e até mesmo de questões teológicas, mas essa diversidade até agora não tem prejudicado a caminhada da igreja. Obviamente, a uniformidade plena é indesejável ou mesmo impossível, mas a diversidade sempre corre o risco de se tornar excessiva, ameaçando a unidade e a identidade da igreja. A fé reformada entende que o objetivo maior da igreja é honrar a Deus e que todas as demais atividades devem estar subordinadas a esse alvo primordial. Somente uma teologia teocêntrica produzirá um culto, um evangelismo e um envolvimento social genuínos, não motivados por considerações pragmáticas, e sim pelas diretrizes das Escrituras.

Existem motivos de gratidão e celebração, como as missões nacionais e transculturais, a plantação de igrejas em regiões pouco alcançadas (como o Rio Grande do Sul), as conquistas no âmbito de publicações, as contribuições à educação teológica por meio do Centro de Pós-Graduação, o trabalho dos hospitais e outras agências assistenciais da igreja, a forte atuação das escolas presbiterianas. Todavia, também existem dificuldades. O crescimento numérico da igreja tem sido lento. Muitas comunidades locais outrora vibrantes se mostram enfraquecidas e carentes de revitalização. A multiplicação de presbitérios e sínodos por motivos que não a expansão do trabalho é outro motivo de preocupação. À medida que avança no século 21, a Igreja Presbiteriana do Brasil tem o desafio de renovar seu compromisso com o Deus trino, com a herança reformada e com sua missão na pátria brasileira.

IPB: História e Identidade
Curadoria dos Museus da IPB

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